De que serve, humano perecível, teu pacote?
Bocas borradas de batom vermelho não dizem nada
E roupas que as traças comem custeiam elogios
Sendo os elogios também devorados por traças.
O que é a verdadeira força no teu pacote?
Lembre-se que tua palma aberta não pega balas
Não pega espadas e nem mesmo a dita justiça
Não pega alcatéias e nem pega conspirações.
De que serve, humano perecível, a sabedoria?
O vento embaralha suas preciosas palavras
Até mesmo a pedra bem gravada se desgasta
E mesmo a base de teu saber um dia explodirá.
Do que se valem os nossos descendentes então?
Do que se vale a nossa labuta efêmera, então?
Lembre-se que para esse mundo não somos nada
Lembre-se que as traças comerão suas verdades.
Não és especial só porque só vê através dos próprios olhos.
Mesmo o que é nobre no que é belo, forte ou sábio continua sendo humano.
O que é humano é apenas apreciável.