sexta-feira, 17 de junho de 2011

Madrugada Tola.

Com medo de acordar para uma vida melhor, eu não durmo.
Com medo de viver minha vida, eu prefiro adormecer.
Madrugada estúpida insone. Madrugada devoradora de fôlego.
Na madrugada meus pensamentos me consomem viva.
Eles tomam conta de mim, e me deformam.
Quero dormir.
Quero sonhar.
Quero viver.
Quero morrer.
Quero parar de pensar.
Madrugada tola, porque você me deixa só?
Enquanto a lua tenta iluminar a minha cara zonza
Enquanto meus olhos débeis seguem a luz
E minha cabeça atordoada me martela internamente.
A energia que eu não possuo se esvai,
sem esperanças de acordar feliz em um novo dia.
Que novo dia?
Madrugada maldita, me embale com a sua canção louca
Me livre de pelo menos uma lógica
E me deixe caminhar pelo labirinto vasto e borrado
Embaçado
Imaginado pela minha inconsciência perdida.
Madrugada tola, me deixe respirar
Ar imaginário.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

sozinha

Uma menina que anda sozinha. Numa rodovia cheia de areia. Uma linha reta e uma miragem de sem-fim.

Quem passa vê, mas não enxerga.

Onde estão as suas pernas, menina?

“Eu sou obrigada a andar. Com ou sem pernas.

Ninguém nunca cortou as pernas para dar para uma menina como eu.”

Quem passa acha que é uma garota como deve ser;

Uma garota que sorri e acena, que concorda e que tem cheiro de açúcar e adolescência,

Uma opinião rota mas recorrente, e estupidificada parece ideal, conveniente

Quem pode enxergar dentro de um coração opaco as vozes que rosnam e rastejam,

As marcas vermelhas e desesperadas, os hematomas,

o rapto da menina na escuridão que ninguém vê,

As rachaduras por todo o interior, quem pode ver?

Quem pode entender de onde surge toda a discordância desse mundo desgraçado?

Quem pode classificar a loucura em você, menina, quando ninguém enxerga dentro de você?

Uma menina que anda sozinha até o fim que ela nem consegue ver.

Numa estrada que não possui nem árvores, nem livros, nem amizades, nem Jesus Cristo.

Menina, que possui a verdade, porque ninguém enxerga dentro de você?

Ninguém consegue ver que é tudo uma miragem que some nas noites frias?

Não existe nada além de uma estrada vazia.

“Um punhado de conveniências mais vazio que areia é tudo que eu tenho, escapando entre os dedos oscilantes da minha esperança.

Fazendo castelos na superfície da única coisa que se move na minha vida.

(Nem feliz, nem infeliz, nem nada.)

(Não há nada para se ter nem para se sentir. Não há sentidos na vida, na morte e não há sentidos em mim mesma.)

Não há miragem que me cegue. Quem vive na escuridão sabe que jamais ficará cego.

Não existiam motivos para eu lutar contra o meu próprio ser desde o início, mas numa estrada de tentações eu devo ignorar as ofertas de felicidade

Segure-me, insanidade, segure-me. Para que o ser humano não me deixe insana.

Mesmo sem pernas. Mesmo ausente. Mesmo seqüestrada, mesmo assassinada. Eu ando até o fim.”

Sozinha no começo. Sozinha no fim.