terça-feira, 27 de dezembro de 2011

REM ou Meu Fascinado Amor

Não sei como vim parar aqui.
Certamente devo ter vindo de alguma maneira, mas eu não lembro. Há um começo, mas ao mesmo tempo, não há. Só sei que eu trilhei um caminho até aqui.
As cores são saturadas e os tons são claros. A luz é forte, mas não me faz cerrar os olhos.
Estou entre o céu e a terra. Entre lá e cá. Vejo um grande vazio, o céu azul-embaçado e o pedaço de terra que curva no horizonte, mas não estou certo se é um grande vazio. As coisas ficam mudando sem parar.
Então não é mais lá nem cá, é aqui. O céu que achei que estivesse no alto na verdade me enganou. Eu tento agarrar só uma parte dele com meus braços estendidos acima de minha cabeça e ele me escapa entre os dedos vagarosos e mal-controlados, mas eu sinto que posso tocá-lo.
Não só o céu se aproximou de mim, mas o universo através do azul-embaçado também.
Então eu olho para o horizonte. O céu cai lentamente sobre a terra como um véu gigante sobre o campo. Como se fosse embrulhar o campo.
Eu me fascino. E então, a luz do horizonte começa a ser obstruída pelo enorme véu, enquanto eu vejo que estou sendo embrulhado. E me vem o breu.
O que eu estou fazendo aqui? Nesse breu, mal posso ver estrelas. O azul-embaçado do céu agora é apenas um azul-embaçado quase negro e angustiante. E desesperador.
Algo salta aqui dentro do meu peito e me causa uma dor aguda e passageira, porque eu lembro que eu devia ter te encontrado.
Eu estou aqui para isso. Eu te perdi.
Então eu começo a correr, com o céu pesado sobre a minha cabeça, com as minhas pernas teimosas. Vou ficando aflito, e os pesos de ambos vão se tornando pequenos como as estrelas diante da sua imagem, perdida por aí, no breu úmido dessas nuvens de chuva.
Eu tropeço, mas não chego a cair. Eu não sei porque eu tropecei. E não sei porque eu não cai. Acho que passei por abismos e quase me precipitei ao fundo sem luz, correndo na beira dos precipícios dessa terra em mutação.
Os campos antes macios de terra e calor agora me parecem terrosos.
Eu corro. Eu choro. Eu esfolo os meus joelhos no ar, e eu não sinto.
Eu choro de aflição.

Uma pausa. Um silêncio.
Uma lufada de ar ressucitadora nos meus pulmões. Meu peito sobe.
Uma luz que vêm a ser, lentamente, clarão.
Eu abro os olhos, e te vejo.
Eu vejo a confusão nos teus olhos.
Eu pego em suas mãos, e vejo que está tudo bem. Que nem tudo é trevas.
Minha querida, eu te abraço. Eu te abraço tão forte que parece que eu quero te guardar em mim.
Mas na verdade, eu quero entrar em você novamente. E poder tocar o céu.
E poder esperar a chuva passar em teus braços.

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