terça-feira, 20 de março de 2012

Duram pouco, os amores de verão.

O tempo em que o Sol demorava para se pôr, o tempo em que o sal do mar secava em meu corpo. O tempo em que eu prendia os cabelos acima da nuca, sentia tesão, acreditava que tudo daria fatalmente certo. O futuro parecia misericordioso, o passado estava escondido.

Passou.

O Sol se pôs. A água do banho lavou tua saliva. Os cabelos caíram sobre meu rosto, suplicam "esta és tu". Aqui estou, o futuro será implacável e do passado, das promessas vãs e da dor da queda eu lembro.

Passou o verão.

Do meu amor eu recordo as esperanças tolas, inquietas. Das esperanças, eu recordo a tolice. Da verdade, eu colho a dúvida, e da dúvida, eu colho o medo. Da solidão, eu não sinto saudades, mas a quero. Quero querê-la. Exijo-a. Cobro-a, serpenteando, "mê dê meu veneno", "me devolve a maçã". "Enterre-me novamente, e sem flores, esqueça-me. Se eu gritar, ignore. Se eu chorar, ignore."
O Sol se pôs e eu surgi do meu refúgio, da escuridão. Essa palidez de sombra não sou eu, mas é o que eu quero ser. Apesar do meu coração clamar pelo amor, meu coração suplica para ser selado em paz, velado em silêncio, não fúnebre, mas sereno. A razão, de seu lado, só cala e esquece, lembra e explode, volta, revolta-se, revela, releva-se.
Por que sou amor? Por que sou pranto alto, carência e ardor? Por que sou necessidade? Por que sou dependência química, desejo carnal e arrogância? Me escondo do mundo no vácuo da emoção, na apática e angustiante estagnação, mas me escondo da solidão em meus sorrisos, confissões, esperanças e sonhos.

Hoje quero, então, achar um lugar calado onde nada acontecerá. Quero ser nada e ninguém, e fingir que há nada e ninguém, que importam o nada e o ninguém. Amanhã voltarei, então, com cinismo e a cabeça baixa, mas expectativas de compreensão. E depois do dia de amanhã, direi apenas "não é nada".
Até a última folha de árvore secar e cair no chão chegada a hora de hibernar, enterrada embaixo da neve e da minha devoção lógica ao absoluto vazio.

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